Há um ano, o jornal espanhol El Diario mantém um blog chamado Micromachismos, com o objetivo de denunciar situações cotidianas de machismo naturalizado. Os depoimentos se transformaram em um vídeo bem elucidativo que conclui: estão aí, ainda que às vezes não queiramos vê-los.
A gente sabe que o machismo, infelizmente, é um fator democrático: faz parte da nossa cultura, está presente no cotidiano e pode ser reproduzido por todos nós, independentemente de nível intelectual ou classe social. Nem mesmo pessoas feministas estão livres de reproduzir o machismo nas atitudes do dia-a-dia, mesmo que a gente tenha um senso autocrítico afiado com relação às questões de gênero.
Mas não é por ser involuntário, ou por ser reproduzido por mera desinformação ou pura ignorância, que ele não existe. Atitudes machistas não deixam de ser machistas simplesmente porque o autor ou autora desconhece (?) a luta pelos direitos das mulheres. Até crianças podem reproduzir "micromachismos", mesmo dentro de toda sua ingenuidade.
Quer um um exemplo? Um garçom que entrega a conta ao homem, mesmo que tenha sido a mulher quem pediu, está reproduzindo uma noção de dependência financeira feminina, ainda que ele, pessoalmente, não tenha tomado consciência disso, ou que a atitude seja "inofensiva". É machismo, ainda que nós, feministas, às vezes façamos vista grossa simplesmente para evitar a fadiga.
Embora existam pessoas orgulhosamente machistas; quando se trata de machismo cotidiano, estamos aqui para desconstruir as ideias, mais do que combater os indivíduos. E, mesmo que pareça irrelevante, não podemos, não devemos, não queremos nos calar.